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Irmã Maria Troncatti “uma vida de esperança”

Em linha com o Sínodo sobre: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional(cf. Instrumento de Trabalho nºs 213-214), partilha-se no mês de Maio a oitava reflexão sobre o percurso de acompanhamento na juventude das Santas, Beatas, Veneráveis e Servas de Deus.

Irmã Maria Troncatti “uma vida de esperança”

Oh, como eu senti naquela ocasião a proteção da nossa doce Auxiliadora! […] A Virgem cobre-nos com o seu manto materno e leva-nos pela mão, salvando-nos sempre dos perigos».

A Irmã Maria Troncatti nasce em Corteno, Golgi (Brescia) em 1883. Cresce feliz no trabalho duro, com a sua numerosa família, partilhando o tempo entre a agricultura e o cuidado dos irmãos e irmãs mais pequenos. Para eles, ela é como uma “pequena professora”, amiga e mãe, despachada e sincera, cheia de delicadeza e sensibilidade humana, exigente consigo mesma, inteligente e de boa índole. Apesar das brincadeiras de infância, sente que o Senhor a acompanha e, a propósito, lembramos aqui um pequeno episódio. Um dia, com as suas amigas, enquanto assava algumas batatas ao lume, o vento queimou-lhe o vestido e as meias feitas com lã de ovelha. De repente, viu um homem que se apresentou e apagou o fogo, mandou um menino ir buscar vinho e azeite, e ele mesmo tratou das suas feridas com o cuidado do Bom Samaritano. Mas, antes que o seu pai chegasse, o homem desapareceu”.

Como lemos na exortação Apostólica “Gaudete et exsultate” podemos dizer que estamos cercados, guiados e conduzidos pelos amigos de Deus

Um ambiente rico de afeto e de fé

Maria Troncatti pôde gozar em casa da presença de um pai amigo, próximo, sensível, forte e terno, e de uma mãe cheia de fé, que dizia: “Aconteça o que acontecer, Fiat, Fiat!” O seu fiat chamava sem cessar o coração de Deus: o amor de seu pai era o alimento e a base da confiança em si mesma. Quando criança, experimentou o “sistema preventivo”. Dizia naquela situação de perigo: «Eu não tive medo, porque conservava ainda no meu coração a graça da Comunhão de há três dias atrás. O Senhor defendeu-me!». Jesus, o Bom Pastor, vinha ao nosso encontro e repetia com serenidade e firmeza: «Não tenhais medo» (Mc 6.50).

Todos os domingos com os pais, Maria participava da Eucaristia, do catecismo, das vésperas e da bênção eucarística. Adquiriu uma profunda formação cristã, e isso ajudou-a a abrir cada vez mais o seu coração à graça da vocação religiosa e a cultivar um forte impulso missionário para servir a Deus nos pobres. Foi capaz de compreender que «o discípulo missionário é o homem e a mulher que torna visível o amor misericordioso do Pai, especialmente com os pobres e pecadores.

Pela inteligência e capacidade intelectual de Maria, a professora Buila criou um nível extra para a escola, a fim de educar nela a inteligência e o coração e ajudá-la a formar um caráter firme e determinado, generoso e missionário. Maria começou a conhecer a Família Salesiana, graças ao Boletim Salesiano que a professora recebia todos os meses e permitia que ela o lesse na aula.

O Boletim narrava as conquistas pacíficas dos missionários e missionárias em terras distantes e as graças extraordinárias obtidas por intercessão de Maria Auxiliadora, a Nossa Senhora de D. Bosco. E assim, a pequena Maria, como Jesus, crescia em sabedoria, piedade, prudência e laboriosidade sob o olhar atento do seu pai, guardada pela austeridade suave da mãe e orientada espiritualmente pelo pároco.

Esta rica experiência familiar imbuída de valores cristãos, mais tarde, a Irmã Maria, vivê-la-á na terra equatoriana, especialmente em contacto com a cultura Shuar na Amazónia. Mais tarde, com gratidão e afeto, a gente chamava-lhe “Madrecita buena”. Desta boa mãe, os Shuar entenderão facilmente tudo o que ela anunciava. Assim, empreendeu com eles a aventura da santidade.

Dificuldade e luta para discernir a vocação

Chegou a altura de tomar a maior decisão: a vocação de Maria foi-se clarificando e, um dia, comunicou abertamente esse chamamento à sua irmã, Catarina, dizendo-lhe: «Eu quero ser religiosa e missionária, mas não digas nada a ninguém…». Noutra ocasião, conversando com o pároco Don Bartolo, este, querendo ajudá-la a discernir melhor, disse-lhe: «Podes fazer muito bem mesmo sem sair do teu país…» Mas o pior foi quando Maria partilhou a sua escolha com os seus pais. A sua mãe ficou calada, como costumava fazer, enquanto o seu pai levantou a voz e disse: «Mas … que ideia extravagante! Quem te meteu isso na tua cabeça?». Apesar de tudo isto, no coração de Maria abriram-se novos horizontes e amadureceu o seu ideal.  Dócil ao Espírito Santo, ela fez o que o Senhor a inspirava. «O discernimento conduz-nos a reconhecer os meios concretos que o Senhor prepara no seu misterioso plano de amor, para que não fiquemos apenas nas boas intenções».

Aos 21 anos, Maria escreveu secretamente uma carta ao Pe. Miguel Rua, pedindo-lhe que fosse admitida no Instituto das FMA como religiosa missionária, o padre Rua, por sua vez, passou a carta à Superiora Geral, Madre Caterina Daghero, e, depois de resolver alguns assuntos inerentes à sua admissão à formação inicial, no dia 15 de outubro Maria partiu para Milão. Quando chegou a Nizza, sentiu uma dúvida. De facto, Maria sentia-se culpada no seu íntimo por ter realizado aquele seu ideal com um pouco de orgulho e presunção. E dizia assim: «Apontei para demasiado alto e agora sinto-me incapaz…» Um belo dia, a Madre Geral perguntou-lhe: «Como estás, querida postulante? Como vamos? Maria não soube responder, o nó que tinha na garganta desfez-se em lágrimas. «Vem comigo – respondeu a Madre – vamos passear um pouco pelo jardim».

Ultrapassadas todas as dúvidas, as superioras admitiram Maria à vestição no dia 12 de agosto de 1906 e, depois, à profissão religiosa. No dia 17 de setembro de 1908 era Filha de Maria Auxiliadora!

As provas não faltam, mas a fecundidade está assegurada

Na primeira comunidade de Rosignano Monferrato, onde era cozinheira, a sua saúde enfraqueceu. A crónica da casa diz que as Irmãs começaram uma novena fervorosa a São José para que lhe obtivesse a cura. A Irmã Maria foi acompanhada e apoiada pela oração e pelo afeto das suas irmãs e superioras. E, assim, se fortificou a sua fidelidade ao espírito salesiano para ir, com generosidade, ao encontro dos outros, particularmente dos jovens.

Foi, depois, transferida para Varazze e Génova. Doente de tifo, foi mandada para Nizza Monferrato, perto da sua ex-mestra de noviciado, Ir. Rosina Giraldi, que era a Inspetora e que devia admiti-la ou não à renovação dos votos. No dia 19 de setembro de 1914, a Ir. Maria celebrou com alegria a sua profissão perpétua e, em 1922, foi escolhida para as missões do Equador.

No seu percurso vocacional, a Ir. Maria chorou, teve medo, desilusão, insucessos, mas também confiança, esperança, gratuidade e fecundidade apostólica.

Por onde passou, revelou-se sempre fiel intérprete da bondade de Jesus, sinal e expressão do seu amor. Era a “madrecita”, solícita e corajosa em ajudar qualquer um que precisasse da sua ajuda. Era médico para o corpo e para as almas: enquanto curava, aconselhava e evangelizava. Com paciência materna procurava reconciliar os ânimos e orientá-los para o bem. Em toda a atividade, sacrifício ou perigo, sentia-se apoiada pela presença materna de Maria Auxiliadora. «Um olhar para o crucifixo dá-me vida e coragem para trabalhar»: esta era a certeza da fé que a apoiava, e que não a dispensava do sofrimento, como deixava perceber também nas cartas aos seus familiares.  Qual o segredo de tanta doação? A oração! A oração era a atenção a uma Presença que lhe dava a força para “permanecer no amor”.

O amor da Irmã Maria pela população Shuar multiplicava o seu espírito de iniciativa, que não se rendia diante de nenhuma dificuldade. Ela não hesitou em oferecer a sua vida pela paz entre Shuar e colonos, após um incêndio criminoso, seguido de diversos episódios de ameaças que destruiu grande parte da missão, e queimou sacrifícios de muitos anos.  A oferta foi aceite. Algumas semanas depois, no dia 25 de agosto de 1969, quando ela partia de Sucúa para ir a Quito realizar os exercícios espirituais, a avioneta em que viajava caiu no momento da decolagem. Ela foi a única vítima! Em torno do seu caixão, o lamento mútuo dos Shuar e dos colonos, agora reconciliados, exaltou-a como a santa!

Devido à crescente fama de santidade da Irmã Maria, foi introduzido o processo de beatificação e, no dia 24 de novembro de 2012, ela foi beatificada em Macas, no Equador.

Uma vida que sabe “permanecer” no amor é rica e fecunda de bênçãos, é um dom de esperança para o mundo.

 

Bibliografia

Ciezkowska Sylwia (a cura di), Lettere di suor Maria Troncatti. FMA Missionaria in Ecuador, Roma, Istituto FMA 2013.
Grassiano M. Domenica, Selva, patria del cuore. Suor Maria Troncatti Figlia di Maria Ausiliatrice, missionaria tra i Kivaros, Roma, Istituto FMA 1971.
Collino Maria, La grazia di un sì tutto donato. Maria Troncatti missionaria nella foresta amazzonica, Leumann (Torino), Elle Di Ci 2012.
[1] Cartas da Irmã Maria Troncatti, 22.
[2] Cf PAPA FRANCISCO, Exortação apostólica Gaudete et exsultate sobre o chamamento à santidade, nº 4.
[3] Documento conclusivo de Aparecida, nº 147.
[4] Gaudete et exsultate nº 169.

Fonte: CGFMA

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