De 27 a 30 de agosto, aconteceu o XV ENCIS — Encontro Nacional das Comunidades Inseridas, sediado pela Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP) e realizado em Porto Alegre (RS), na Salesianas Eventos e Hospedagem.
O ENCIS reuniu mais de 40 Irmãs Salesianas (Filhas de Maria Auxiliadora — FMA) de todas as regiões do Brasil e teve como tema «Mulher, Discípula Missionária da Esperança», além de celebrar os 40 anos desta iniciativa interinspetorial que une o Brasil desde 1985.
Acolhida e abertura do encontro
A gentileza, a arte e a beleza do local foram destaque na acolhida do grupo. Tudo foi preparado com carinho pelas Irmãs Salesianas da comunidade Santa Teresa, de Porto Alegre, que residem na Casa de Eventos, com a colaboração de Irmã Laura Mondini, da comunidade religiosa de Rio Pardo (RS).
O ENCIS revelou fortemente a sinodalidade da equipe de coordenação, formada por representantes das quatro inspetorias das FMA no Brasil. Cada dia foi coordenado por uma integrante da equipe.
Na tarde do dia 27 de agosto, Irmã Mirian Angélica L. dos Santos, da BAP, conduziu os trabalhos de abertura do XV ENCIS. A Inspetora, Irmã Alaíde Deretti, abriu o evento com palavras de acolhida e esperança e convidou as participantes a serem uma presença marcada pela ternura; a verem, nos desafios, oportunidades de conversão; a serem formadoras de esperança e a resgatarem os sonhos.
O grupo teve também a oportunidade de assistir a uma vídeo-mensagem de Irmã Paola Battagliola, Conselheira Geral do Instituto das FMA e referente para a CIB — Conferência Interinspetorial do Brasil.
Conhecedora da caminhada das FMA no Brasil, Irmã Paola deixou sua mensagem: «Quarenta anos são um dom de Deus. São histórias de tantas Irmãs que escolheram partilhar a vida do povo, habitar as periferias geográficas e existenciais e deixar-se evangelizar pelos pobres. Essa memória é feita de rostos, de comunidades simples, de relações construídas com paciência, de lutas compartilhadas, de jovens acompanhados, de mulheres fortalecidas em sua dignidade, em seu protagonismo. É uma memória que nos reconduz às fontes, onde Dom Bosco e Madre Mazzarello nos ensinam a ter um coração grande, capaz de ver, acolher e amar».
Memória e Memorial do ENCIS
O dia 28 foi coordenado por Irmã Gerline Deolinda de Paiva, da Inspetoria Madre Mazzarello (BMM), e o grupo acolheu a mensagem de Irmã Maria Américo Rolim, Inspetora da Inspetoria Maria Auxiliadora, de Recife, presente no encontro.
Em seguida, uma oração bem salesiana preparada pela Inspetoria BAP trouxe como proposta a pergunta: «Que horas são?». «São horas de amar a Deus» (Madre Mazzarello). O símbolo do relógio e o texto bíblico de Eclesiastes (3,1-8) — «Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu» — iluminaram aquilo que seria não apenas uma «Memória», mas um «Memorial».
Na sequência, Irmã Madalena Scaramussa, da Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia (BRM), conduziu o «Memorial» do ENCIS, que consistiu na apresentação de cada edição do encontro, segundo os registros dos arquivos das Inspetorias. Tratou-se, na verdade, de uma construção coletiva, pois, enquanto alguém apresentava uma edição do ENCIS, as participantes intervinham com memórias e recordações sobre o tema, a dinâmica, a assessoria e as conclusões do referido encontro.
O «Memorial» trouxe 40 anos de história e resgatou o contexto do nascimento do ENCIS e de seu desenvolvimento. Quantas vidas foram resgatadas, quantas lutas foram travadas diante dos diversos problemas apresentados em cada realidade! O «Memorial» foi um tempo para abraçar o ENCIS, de 1985 a 2023.
Reflexão sobre as mulheres no Brasil
Os dias 29 e 30 foram coordenados, respectivamente, pelas Irmãs Maria de Fátima Cunha, da Inspetoria Maria Auxiliadora (BRE), e Irmã Carmem Demarchi, da Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia (BRM).
Nesses dias, o XV ENCIS contou com a assessoria de Irmã Eurides Alves de Oliveira, da Congregação do Imaculado Coração de Maria, que levou as participantes a refletirem sobre o próprio ser mulher e, assim, de modo consciente, poderem ver e sentir a realidade das mulheres no Brasil. Com grande sensibilidade e profundidade, Irmã Eurides apresentou um panorama da realidade das mulheres no Brasil nos diversos âmbitos, com especial atenção aos anos de 2024 e 2025. Ela trouxe o tema do discipulado das mulheres na Bíblia e ajudou as Irmãs a confrontá-lo com a presença FMA no território, tudo em um caminho refletido com dinâmicas orantes.
Para Irmã Eblin Yanessi Angel Perea, vinda de São Marcos (MT), «foi um rico espaço de partilha, reflexão, aprofundamento e confronto com a realidade, ajudando-nos a olhar com maior consciência para os desafios e as esperanças que marcam a vida das mulheres em nosso país».
Segundo Irmã Silvania Cássia Pereira, de Água Clara (MS), «foram dois dias de pisar esse chão, descer até esse contexto sofrido e pôr-se a caminho nesse discipulado. As colocações de Irmã Eurides enfatizaram essa verdade posta: a missão é de Deus! “Vimos o Senhor!”».
Na dinâmica proposta por Irmã Eurides, a partir do tema «Mulheres Discípulas Missionárias de Esperança», as participantes rezaram e partilharam, em grupos, o texto da Ressurreição de Jesus, destacando, de modo especial, a figura de Santa Maria Madalena: mulher discípula e missionária, testemunha da esperança que nasce do encontro com o Ressuscitado.
Gratidão e preparação para 2029
O encontro foi encerrado com gratidão e alegria por um tempo que precisa ser guardado na memória do coração, proporcionado por Deus a cada FMA e a cada Inspetoria.
Essa história vivida em Porto Alegre, no XV ENCIS, não terminou: ela já está começando com a preparação do próximo ENCIS, em 2029, que foi acolhido e será realizado na Inspetoria Maria Auxiliadora (BRE), de Recife.
«Parodiando o último versículo do capítulo 3 do livro de Eclesiastes: “As coisas que Deus fez aqui foram boas no seu tempo. Ele pôs, em nosso coração, que o seu seguimento tem a duração inteira e que, do início ao fim, estamos num processo de mudanças, diante do chamado que Ele nos fez. Estamos a caminho, e a esperança se revela no caminhar”», concluiu Irmã Silvania, de Água Clara.
Todos os dias foram repletos de encontros, partilhas, dinâmicas, orações comunitárias e celebrações eucarísticas, que uniram ainda mais o grupo em torno dos 40 anos do ENCIS.
Entre os diversos momentos de confraternização e celebração, houve dois especiais: um na «Churrascaria Roda de Carreta», com forte tradição gaúcha; e outro, na noite de 29 de agosto, com um animado e alegre recreio, preparado em estilo salesiano pelas participantes.
«Um momento de descontração, partilha, risadas e profunda comunhão fraterna, que expressou a beleza de caminharmos juntas como mulheres de esperança», afirmou Irmã Eblin, da Inspetoria BMM.
O ENCIS, que acontece a cada três anos, reúne Irmãs que vivem em Comunidades inseridas em meios populares e nos Projetos Sociais, Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, cuja vida e missão é compartilhada com o povo, em bairros de periferia, favelas ou zonas rurais empobrecidas e com seus desafios, com foco na garantia de direitos e na dignidade e promoção de pessoas em situação de vulnerabilidade.