Instituto N. S. do Carmo

Em 5 de agosto de 1872, há 141 anos atrás, nascia o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. Uma história de mulheres de tradição simples, pobres, encantadas com o Deus da vida, jovens corajosas que escolheram Deus para sempre e se consagraram com o mesmo entusiasmo e sonho de Dom Bosco: “da mihi animas e cetera tolle” – ‘Dai-me almas e ficai com o resto”. Esse grupo pode cantar: “Ó qual sorte siamo Figlie di Maria Ausiliatrice, salesiane di Don Bosco, ó qual sorte piu felice… e suas vozes ecoaram e ecoam até hoje.

Assim, com este mesmo ardor o ramo feminino veio para a América, e, do Uruguai chegou ao Brasil. Esta outra história começou com o sonho de um outro homem que conhecia e admirava a obra de Dom Bosco e sua missão, desejando para a cidade de Guaratinguetá a mesma educação salesiana. Por meio de seus filhos, o Padre João Filippo solicitou a presença das Irmãs Filhas de Maria Auxiliadora ao Brasil, em Guaratinguetá, estado de São Paulo.

Padre João Filippo apressou a história, pois com a vinda dos primeiros salesianos ao Brasil, em Niterói, RJ, em 1883, o Pe. Luis Lasagna, primeiro Inspetor dos salesianos, já queria trazer para o país as Filhas de Maria Auxiliadora (cf. Azzi 1999, p.35). No entanto, as salesianas esperaram nove anos, pois duas razões desaconselhavam a vinda das irmãs: a febre amarela, que estava causando muitas mortes e o anticlericalismo dominante, hostil à presença de novos institutos religiosos no país.

A princípio, as irmãs viriam para os grandes centros urbanos onde a mentalidade liberal era forte mas, o inspetor Pe. Lasagna preferiu trazê-las para o interior, onde a tradição religiosa se mantinha mais firme e a população mais respeitosa do culto católico e das pessoas consagradas (cf. AZZI, 1999, p. 38).

Esta estratégia possibilitou uma resposta positiva à solicitação do Pe. João Filippo.

Sendo assim, em 1892 concretizou-se o plano de trazer para o Brasil as Filhas de Maria Auxiliadora. O grupo destinado ao Brasil veio de Montevidéu, capital da República do Uruguai, era composto de dez irmãs e duas noviças, madre Teresa Rinaldi, Florinda Bittencourt, Helena Hospital, Paula Zuccarino, Joana Narizano, Dolores Machin, Ana Couto, Dileta Maldarin, Justina Gros, Francisca Garcia, e as noviças Matilde Bouvier e Maria Luiza Schilino, com a finalidade de assumirem três obras, localizadas em Lorena, Guaratinguetá e Pindamonhangaba.

Essa expedição veio acompanhada pelo rev.mo. Padre Domingos Albanello, que tinha sido nomeado prefeito do Colégio São Joaquim em Lorena, e pelo rev.mo padre Tomé Barale (cf. Crônica do Colégio do Carmo).

Ao chegarem em Lorena, no dia 13 de março, foram recebidos na estação pelo Reverendíssimo Pe. Carlos Peretto, diretor do colégio são Joaquim, acompanhado da banda musical do colégio, pelo senhor Conde Moreira de Castro Lima, cooperadores e cooperadoras salesianos e muitas pessoas da cidade.

Instaladas em Lorena, no dia 15 foram visitadas pelo reverendíssimo senhor Pe. João Filippo e no dia 16 de março continuaram sua viagem para Guaratinguetá. Às duas horas da tarde, a convite do Pe. João Filippo achavam-se na estação da estrada de ferro central os senhores sacerdotes da localidade, algumas autoridades civis, muitas famílias e grande massa de povo e juntamente uma banda musical, que há muito aguardavam a chegada das irmãs e prestou-lhes uma brilhante recepção. Logo após, dirigiram-se à Igreja Matriz, onde foi cantado um solene “te Deum”, em ação de graças e o reverendíssimo vigário Cônego Benedicto Honório Ottoni, dirigiu-lhes uma mensagem.

Terminada a solenidade religiosa na Matriz de Santo Antonio vieram todos ao Colégio do Carmo que previamente tinha sido adornado de arcos, flores, etc. Acompanhadas as Irmãs pelo Pe. João Filippo e pelo Pe. Carlos Peretto, diretor do Colégio São Joaquim, de Lorena entraram, oficialmente no Colégio Nossa Senhora do Carmo.

No dia 20 de abril foi solenemente inaugurado o Colégio que pela devoção do ilustre fundador, a Virgem do Carmelo recebeu o nome de Nossa Senhora do Carmo. A festa foi feita com a maior pompa possível.

Às 9 horas da manhã, deste mesmo dia, foi celebrada a santa missa presidida pelo Pe. João Filippo e concelebrada pelo padre Carlos Peretto, diretor do Colégio São Joaquim de Lorena e diretor das Irmãs. Após a Missa o reverendíssimo Pe. João Filippo ofereceu um almoço a todos os convidados. À mesa, foram muitos brindados o fundador do Colégio, a Congregação Salesiana e as Filhas de Maria Auxiliadora.

Em seguida, o prédio foi visitado pelo público, enquanto a banda musical salesiana, de Lorena, tocava diversas peças de seu repertório.

Ao comemorarmos 120 anos de presença no Brasil, escolhemos para rememorar esta história o lema: “Traçando caminhos e escrevendo histórias”…são as mais diversas, de rostos diferentes, multicores, de acordo com as variadas frentes de trabalho das Irmãs salesianas. Com a proteção da Virgem Auxiliadora, de “Aparecida”, somos desafiadas a viver o rosto feminino de Deus junto à juventude do Brasil, assumindo os nossos barcos, jogando as nossas redes, confiando que a novidade de cada rede lançada, possa tornar o carisma herdado de Dom Bosco e Madre Mazzarello, um alimento que sacie o nosso campo educativo-pastoral. “Eis que lhe dou a mestra”.

Os ramos desta fecunda raiz se estenderam … “As gerações se sucederam… O Carmo quer continuar sendo uma Casa alegre… daquela alegria tão própria da espiritualidade de Dom Bosco. Alegria que nasce da certeza profunda de que Deus se faz presente na história e de que Nossa Senhora é sempre AUXILIADORA e traz aos corações a esperança necessária à caminhada”.